Ocorrências em que familiriares do acusado interferem nas atitudes policiais são as mais difíceis de se atender. Contarei apartir de hoje uma série de ocorrências que de classificação simples passaram a se tornar fatos inesquecíveis em minha carreira.
Não posso me lembrar o ano mas lembro da Viatura, um vectra ano 98, nova, provavelmente o ano da ocorrência também.
Naquele ano estava trabalhando como patrulheiro do oficial de serviço. Éramos três PMs, O Oficial de serviço, o motorista e eu. O oficial era responsável pela fiscalização do serviço de policiamento em toda a área do 1º RPmon em Santa Maria/RS. Estávamos em patrulhamento próximo ao Parque Itaimbé quando ouvimos pelo rádio transmissor da VTR o despacho da sala de operações para que uma viatura se deslocasse até uma casa noturna situada no Parque Itaimbé, pois, os seguranças da casa haviam expulso um indivíduo que promovia desordem e este havia retornado armado com uma faca e ameaçava à todos em frente a boate. Estávamos próximos e o oficial determinou que o motorista se deslocasse para o local para apoiar a VTR despachada. Chegamos antes e logo avistamos o indivíduo que ao perceber a aproximação da VTR jogou fora uma faca. Ele foi detido e a faca recuperada por mim em meio ao gramado do parque. Assim que juntei a faca, coloquei-a em um uma espécie de bolsa que havia em meu colete à prova de bala.(Essa bolsa nada mais era que uma continuação do colete que ficava presa por um velcro junto ao corpo, parte essa que em confronto armado poderia ser abaixada e usada como uma extensão que protegia logo abaixo da cintura, na região pélvica). Tão logo guardei a faca, me dirigí ao meliante que estava detido e tratei de algemá-lo e colocá-lo na VTR. Decidimos deslocar com ele até a frente da boate para que fosse reconhecido pelos seguranças e para que um deles nos acompanhasse até a delegacia de polícia para que fosse efetuado o registro da ocorrência. Ao chegarmos na frente da boate um "burburinho" estava armado. Os familiares do meliante, mãe, irmãos, irmãs e cunhados estavam revoltados com os seguranças e ao avistarem o parente deles preso e algemado no interior da VTR partiram para cima da guarinção para tentar resgatá-lo. Coseguiram tirá-lo de dentro da viatura mas comigo agarrado ao pescoço dele. Enquanto o Oficial e o motorista tentavam afastar os parentes revoltados eu tentava recolocá-lo devolta para a VTR. Com uma gravata em seu pescoço eu tentava puxá-lo para dentro, foi quando apareceu a mãe do rapaz, gritando como uma louca, ela veio em minha direção e cravou as unhas no meu rosto e ao colocar as mãos entre eu e o meliante para tentar arrancá-lo de mim, ela encontrou a faca presa ao meu colete, sacou-a e me golpeou da direita para a esquerda na direção do meu rosto. Consegui esquivar o rosto da faca, porém, fui golpeado no braço esquerdo na altura do ombro. A Faca ficou cravada e a mulher deu a volta pela minha frente e retirou a faca, que estava cravada, e tentou me golpear novamente mas fui mais rápido e, numa fração de segundos, joguei o rapaz no chão e livre dele consegui acertar um chute no rosto da mulher que caiu praticamente desmaiada. Nesse momento chegava a VTR despachada para a ocorrência e passou a nos apoiar. Na delegacia a mulher foi autuada em flagrante por tentativa de homicídio e conduzida ao presídio. O filho foi indiciado pela posse da arma branca, ameaça e desordem e foi liberado. Eu fui atendido no Hospital da Briagada Militar onde levei alguns pontos e fiquei com o braço dolorido por alguns dias e umas unhadas no rosto e acreditem, eu fui capaz de entender a atitude daquela mãe e até de perdoá-la, pois, mãe é aquela que defende os seus mesmo que sacrifique a sua própria vida. A mãe ficou presa por apenas um mês e ganhou um Habeas Corpus.
"É a polícia", é a frase que marca a presença policial na cena de uma ocorrência. A carreira policial reserva uma série de aventuras, tragédias e alegrias. Neste blog contarei, em forma de crônicas, algumas das ocorrências policiais mais empolgantes das quais eu participei. Estejam a vontade para colocarem seus depoimentos,pensamentos e críticas.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
segunda-feira, 28 de junho de 2010
NAS MÃOS DE UM REPÓRTER
As pessoas não podem imaginar os acontecimentos que sucedem uma ocorrência de repercusão como por exemplo a última crônica intitulada “Juri Popular”.
O Jovem morto no confronto passou a ser, para os olhos da maioria das pessoas desinformadas , uma vítima da brutalidade policial, pois, tinha apenas 14 anos. Para estas pessoas, um jovem nesta idade não poderia estar envolvido com o crime. A ocorrência passou a ser vista pela imprensa local como um prato cheio para o sensacionalismo. Uma Rádio local tinha um programa pela manhã chamado “Programa do Paulo Roberto” (Paulo Roberto é um nome fictício). Um programa destes que todas as rádio AM tem, onde o radialista conversa com pessoas, cria polêmicas, oferece músicas e serviços comunitário. Este radialista tinha um reporter de rua, que com uma unidade móvel percorria os bairros em busca de notícias fúteis e , um dia após o ocorrido, lá estava este tal repórter no velório do jovem morto no confronto. Com um microfone na mão, sem nenhuma informação oficial, ele passou a relatar ao vivo o que viu no velório:"- Olha Paulo Roberto, eu estou aqui, ao vivo, no velório do menininho morto covardemente pela Brigada Militar. A mãe do menininho, chorando compulsivamente me mostrou a camiseta que ele usava no dia em que foi morto e essa camiseta tem um furo enorme nas costas o que comprova que ele foi morto com o tiro de uma arma “Puma calibre 44” e foi pego de traição, pelas costas. Também estou vendo que ele levou facadas pelo peito, braços e pernas e teve a cabeça aberta por uma coronhada da “Puma calibre 44”. É uma cena impressionante Paulo Roberto, os brigadianos foram extremamente covardes e violentos."
Ouvi esses comentários e quase enlouqueci.“Meu Deus do céu como isso foi acontecer, quem esfaqueou aquele menino”. Pensei até que poderia ter sido a Guarnição que o levou ao hospital, em represália aos disparos contra os policiais. Eu conhecia um policial civil que trabalhava no IML local e fui até lá conversar com ele. Na conversa com o policial do IML ele disse também ter ouvido os comentários do repórter de rua e passou a me explicar o que o repórter vira no velório. As facadas que ele relata ter visto no menino no velório, na verdade são cortes feitos pelo médico legista para extrair, orgãos e artérias para a necrópsia. A coronhada na cabeça, nada mais é que a abertura da caixa craniana também para procedimentos da necrópsia e o tal tiro de “Puma calibre 44”, isso é uma alucinação de um repórter ignorante e inconseguente que após alguns meses teve que ceder um espaço para retratação no “Programa Paulo Roberto” o Show da Manhã.
O Jovem morto no confronto passou a ser, para os olhos da maioria das pessoas desinformadas , uma vítima da brutalidade policial, pois, tinha apenas 14 anos. Para estas pessoas, um jovem nesta idade não poderia estar envolvido com o crime. A ocorrência passou a ser vista pela imprensa local como um prato cheio para o sensacionalismo. Uma Rádio local tinha um programa pela manhã chamado “Programa do Paulo Roberto” (Paulo Roberto é um nome fictício). Um programa destes que todas as rádio AM tem, onde o radialista conversa com pessoas, cria polêmicas, oferece músicas e serviços comunitário. Este radialista tinha um reporter de rua, que com uma unidade móvel percorria os bairros em busca de notícias fúteis e , um dia após o ocorrido, lá estava este tal repórter no velório do jovem morto no confronto. Com um microfone na mão, sem nenhuma informação oficial, ele passou a relatar ao vivo o que viu no velório:"- Olha Paulo Roberto, eu estou aqui, ao vivo, no velório do menininho morto covardemente pela Brigada Militar. A mãe do menininho, chorando compulsivamente me mostrou a camiseta que ele usava no dia em que foi morto e essa camiseta tem um furo enorme nas costas o que comprova que ele foi morto com o tiro de uma arma “Puma calibre 44” e foi pego de traição, pelas costas. Também estou vendo que ele levou facadas pelo peito, braços e pernas e teve a cabeça aberta por uma coronhada da “Puma calibre 44”. É uma cena impressionante Paulo Roberto, os brigadianos foram extremamente covardes e violentos."
Ouvi esses comentários e quase enlouqueci.“Meu Deus do céu como isso foi acontecer, quem esfaqueou aquele menino”. Pensei até que poderia ter sido a Guarnição que o levou ao hospital, em represália aos disparos contra os policiais. Eu conhecia um policial civil que trabalhava no IML local e fui até lá conversar com ele. Na conversa com o policial do IML ele disse também ter ouvido os comentários do repórter de rua e passou a me explicar o que o repórter vira no velório. As facadas que ele relata ter visto no menino no velório, na verdade são cortes feitos pelo médico legista para extrair, orgãos e artérias para a necrópsia. A coronhada na cabeça, nada mais é que a abertura da caixa craniana também para procedimentos da necrópsia e o tal tiro de “Puma calibre 44”, isso é uma alucinação de um repórter ignorante e inconseguente que após alguns meses teve que ceder um espaço para retratação no “Programa Paulo Roberto” o Show da Manhã.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
JURI POPULAR
Depois que recuperei das feridas do tiro (foram 4 meses) fui escalado para trabalhar no turno da noite na área próximo ao Regimento Malet, um quartel do exército que fica em frente a praça da Liberdade. A pé, eu o cabo havíamos patrulhado a área leste de nosso setor e nos dirigíamos calmamente para a àrea da praça. Ao chegarmos na esquina da praça, avistamos dois homens parados encostados em uma motocicleta estacionada no cordão da calçada da praça. Assim que os dois homens perceberam a aproximação dos policiais, tomaram atitudes que costumamos chamar de "suspeita". desencostaram da moto, fingiam conversar e trocavam olhares desconfiados. Diante destas atitudes decidimos abordá-los. Um dos homens, o mais baixo, tinha algo nas mãos que não podiámos ver, além de uma mochila, tipo "saco" com cordas de usar em diagonal sobre as costas, o outro, mais alto e magro, não tinha nada nas mãos e nem mochila. Traçamos um plano de abordagem, o cabo afastou-se de mim, em diagonal para impedir uma fuga para o interior da praça e eu, em linha reta, ia em direção aos dois. ao nos aproximar-mos uns dez metros, ambos os homens começaram uma suposta fuga, caminhando lado a lado como se não estivessem nos vistos. Coloquei a mão sobre o revólver no coldre, desapresilhei-o sem sacá-lo, dei a voz de abordagem ao dois que estavam de costas para mim e de lado para o cabo: "Parados, é a polícia..." Três disparos vieram na minha direção. O homem mais baixo, ao ouvir a abordagem, virou-se e em sua mão direita tinha uma pistola em punho. Um dos tiros passou tão perto de minha orelha que pude ouvir um forte estalo. A reação foi imediata. Sacamos nossas armas num reflexo instintivo e disparamos, eu três vezes, o cabo mais três. O atirador andou dois passos caiu de bruços e ficou com a arma sob o corpo, já o outro levou as mãos à cabeça e caminhou em direção ao cabo, onde foi rendido ao solo e algemado. Olhei o corpo daquele homem caído por uns cinco segundos e fui em direção a ele sem perdê-lo da mira do meu revólver. Cheguei bem perto, achei que estava morto, pois, sangrava na cabeça, procurei a pistola dele e não enxerguei, seu rosto estava de frente para o chão de paralelepípedo, sem tirá-lo da mira, o cutuquei com a ponta do meu coturno, foi como jogar água em gato, o homem virou-se numa velocidade espantosa e efetuou mais um disparo em minha direção, errou, pressionei o gatilho do revolver e estava trancado. Corri para dentro de um pátio e de lá pude ver o homem se levantar e, cambaleando tentava firmar a perna esquerda no chão, porém, um dos disparos que efetuamos havia partido o osso de sua canela e aquilo ficava balançando e dobrando contra o chão. Olhei para meu revolver e tentei abrir o tambor, não abria, cheguei a batê-lo contra uma parede mas não adiantou. Fiz uma volta enorme para chegar até onde estava o cabo com o outro dominado. Não teve outro jeito, como o cabo já tinha algemado o cara, troquei de arma com ele e fui em direção ao atirador. Ele não tinha conseguido andar cinco metros por causa da perna quebrada. Me aproximei, esqueirando-me por postes e árvores, pude ver seus olhos, estavam vermelhos e irradiavam ódio, apontava a pistola em minha direção e forçava o dedo contra o gatilho mas nada saía. Pude ver então, que a pistola estava aberta o que indicava que não havia mais munição. Cheguei bem perto dele, e quando se distraiu com um vulto na esquina, joquei-me contra ele derrubando-lhe. Quando estava sobre ele, tirando-lhe a pistola da sua mão, apareceram três militares do exército, um de pistola em punho e outros dois com fuzis. Senti um alívio e pude me concentrar mais em desarmá-lo.Assim que lhe retirei a pistola de sua mão e o algemei é que levantei a cabeça e pude ver que estava em frente ao portão lateral do Quartel do Exército. Logo chegou reforço da brigada e uma ambulância do exército para levar o ferido. Dentro da mochilinha do atirador havia um tijolo de 500 gramas de maconha. O atirador foi colocado na ambulância do exército, acompanhado de um punhado de PMs, e conduzido ao Hospital. Decidimos levar o outro direto para a delegacia, e quando o levantamos do chão ele mencionou que também estaria ferido foi só aí que vimos uma grande mancha de sangue em suas costas. Um dos disparos havia entrado pelo abdomem e saído pelas costas, deixando um buraco de saída do tamanho de uma bola de ping-pong. Foi conduzido de vitura ao Hospital mais próximo e morreu minutos depois. O atirador era um foragido da justiça de 25 anos, condenado por estupro e acabou novamente condenado por tentativa de homicídio contra os dois policiais, tráfico de drogas e porte ilegal de arma mas o outro era só um jovem de 14 anos envolvido com as pessoas erradas na hora errada. Essa ocorrência nos levou a julgamento por juri popular. Da data do fato até nosso julgamento, se passaram exatos um ano, foi na época um dos piores momentos de minha vida. A imagem daquele guri percorria meus sonhos e me colocou em depressão e pela primeira vez na minha carreira eu fui a nocaute psicológico. Fui encaminhado e tratado por psicólogos e psiquiátras durante um ano antes de voltar a trabalhar e por mais três anos como medida preventiva. Quanto ao julgamento, fomos absolvidos baseado na tese do "estrito cumprimento do dever legal" . E o revólver, pura falta de atenção, a vareta do tambor estava frouxa e com isso o gatilho tranca e tambor não abre. Provavelmente com os disparos que dei ela afrouxou e não percebi. Essa nunca mais pega. PS - no hospital, os médicos encontraram nas cuecas do menino morto, uma piteira e várias trouxinhas de maconha
segunda-feira, 21 de junho de 2010
UM DEDO PARA A MORTE
Nesses meus 20 anos de polícia, muitas coisas se passaram diante de meus olhos. As Crônicas que posto aqui são na verdade um apanhado das ocorrências policiais mais empolgantes. O tempo, os detalhes, os sons e outras coisa que não consigo escrever fica a critério da imaginação de cada um dos leitores. Na verdade uma ocorrência policial, quando atinge o seu ápice, e é daí que começo a contar, não dura mais do que cinco minutos, e é nesse ponto que quero que todos vocês se apeguem, pois, ao final de cada leitura imaginem toda a ação detalhada em palavras e após coloquem-se em cena adicionando a isto, a obrigação de fazer, as frações de segundos para pensar e agir e o medo que incendeia seu corpo ao imaginar que tudo pode acabar alí. Boa leitura
Em 1995 eu já havia voltado para o quartel do 1º RPMon em Santa Maria no RS. Estava classificado no 4º Esquadrão que atendia todos os bairros que circundavam o centro da cidade, porém, fui emprestado ao Pelotão de Choque do Regimento ( naquela época para ser do Choque bastava ser grande, podia ser o maior jucão dentro da polícia, mas se tu fosse grande tava dentro e eu tinha 1.91m e fui). Era o meu segundo serviço no choque, trabalhávamos em um grupo de oito policiais, um sargento, um cabo e seis soldados em um turno de 24 horas. Assumíamos o serviço às 07:00Hs de um dia e largávamos no mesmo horário do outro dia. Ficávamos aquartelados e saíamos para patrulhar uma vez durante o dia no horário bancário na área central e depois na madrugada para fazer patrulhas nas vilas e foi numa dessas madrugadas que passei um dos maiores dramas dentro de minha carreira. Eram 06:00Hs da manhã e estávamos chegando no quartel, na verdade já estávamos dentro do quartel manobrando a viatura, uma Pick Up Gm C-10 com capota traseira e bancos laterais na vertical, o Sargento e motorista ficavam na cabine e o resto do efetivo na carroceria, quando ouvimos pelo rádio um chamado de apoio de uma viatura, no bairro Camobí, que se deparara com um indvíduo, que acabara de assaltar um casal e disparou alguns tiros contra a guarnição. Levamos exatos seis minutos até o local. A guarnição que havia sofrido os disparos não estava ferida e nos informou as características e a direção que o assaltante e atirador havia tomado. Beco do Beijo, era para onde tinha ido o meliante em fuga. Quando a nossa viatura ingressou no beco, eu ví o suspeito correndo e se escondendo atrás de uma casa, batí forte com o pé três vezes no assoalho da viatura, era o sinal para o motorista parar, ele parou e desembarcamos, corremos em direção a casa para efutuar um cerco, porém, eu tropecei em um fio de arame e caí, todos passaram por mim e quando estava me levantando, o meliante acuado, sai de trás da casa e atirou contra os colegas que estavam à minha frente e, então, eu sentí um calor enorme na altura da virília direita e percebí que fora atingido, todos os outros haviam se jogado ao chão e eu, embora atingido, não sentia dor e enquadrei o bandido mas ao tentar manter equilíbrio perdi a sensibilidade da perna e caí e pela segunda vez na minha carreira eu tive medo. Pensei que ia morrer, não conseguia associar o ato de ser atingido por um tiro com qualquer outra coisa a não ser com a morte. Deitado no chão, sozinho, desafivelei minha cinta e abri minhas calças. A minha virília direita estava enorme, parecia que tinham colocado uma bola de tenis dentro dela, imaginei minha femural rompida e comecei compulsivamente a contar os segundos, eu ia morrer alí. Pedi a Deus só mais uma chance e foi aí que dois colegas surgiram e me carregaram. Me colocaram no deitado banco traseiro de uma vitura Fiat Prêmio, tive que ir com as pernas pro lado de fora da janela. No Hospital Universitário eu cheguei desacordado pois, perdi muito sangue e logo em seguida fui acordado por um médico que comunicou o quadro médico. A bala, calibre 32,entrou pelo púbis, cinco dedos abaixo do umbigo e dois abaixo do colete a prova de balas,da esquerda para a direita, rompeu uma série de vasos sanguíneos sem muita importância, passou à milímetros da bexiga e se alojou na virília direita ao lado da artéria Femural, porém, sem rompê-la. E está alí até hoje. Bem, o bandidão que não era tão bandidão assim, tinha 14 anos, foi preso por volta das 10:00Hs da mesma manhã, depois que um Regimento inteiro cercou o famigerado Beco do Beijo. O "gurizinho" havia invadido a casa de um idoso, o ameaçado, tirado a roupa e as escondido dentro das panelas do vovô, o revolver dentro de um fogão a lenha e se deitado na cama como se nada tivesse acontecido. Foi acordado com uma calibre 12 na fuça, pois, o vovô que ficara assustado na frente da casa tomando um chimarrão fez um sinal muito discreto com os olhos para um policial que passava. Foi encaminhado para a antiga FEBEM e assim vive até hoje, 2 anos preso dez dias solto. Eu fiquei muito tempo sem trabalhar nas ruas mas me recuprei bem. Na próxima crônica quem leva a pior são os os bandidos...
Em 1995 eu já havia voltado para o quartel do 1º RPMon em Santa Maria no RS. Estava classificado no 4º Esquadrão que atendia todos os bairros que circundavam o centro da cidade, porém, fui emprestado ao Pelotão de Choque do Regimento ( naquela época para ser do Choque bastava ser grande, podia ser o maior jucão dentro da polícia, mas se tu fosse grande tava dentro e eu tinha 1.91m e fui). Era o meu segundo serviço no choque, trabalhávamos em um grupo de oito policiais, um sargento, um cabo e seis soldados em um turno de 24 horas. Assumíamos o serviço às 07:00Hs de um dia e largávamos no mesmo horário do outro dia. Ficávamos aquartelados e saíamos para patrulhar uma vez durante o dia no horário bancário na área central e depois na madrugada para fazer patrulhas nas vilas e foi numa dessas madrugadas que passei um dos maiores dramas dentro de minha carreira. Eram 06:00Hs da manhã e estávamos chegando no quartel, na verdade já estávamos dentro do quartel manobrando a viatura, uma Pick Up Gm C-10 com capota traseira e bancos laterais na vertical, o Sargento e motorista ficavam na cabine e o resto do efetivo na carroceria, quando ouvimos pelo rádio um chamado de apoio de uma viatura, no bairro Camobí, que se deparara com um indvíduo, que acabara de assaltar um casal e disparou alguns tiros contra a guarnição. Levamos exatos seis minutos até o local. A guarnição que havia sofrido os disparos não estava ferida e nos informou as características e a direção que o assaltante e atirador havia tomado. Beco do Beijo, era para onde tinha ido o meliante em fuga. Quando a nossa viatura ingressou no beco, eu ví o suspeito correndo e se escondendo atrás de uma casa, batí forte com o pé três vezes no assoalho da viatura, era o sinal para o motorista parar, ele parou e desembarcamos, corremos em direção a casa para efutuar um cerco, porém, eu tropecei em um fio de arame e caí, todos passaram por mim e quando estava me levantando, o meliante acuado, sai de trás da casa e atirou contra os colegas que estavam à minha frente e, então, eu sentí um calor enorme na altura da virília direita e percebí que fora atingido, todos os outros haviam se jogado ao chão e eu, embora atingido, não sentia dor e enquadrei o bandido mas ao tentar manter equilíbrio perdi a sensibilidade da perna e caí e pela segunda vez na minha carreira eu tive medo. Pensei que ia morrer, não conseguia associar o ato de ser atingido por um tiro com qualquer outra coisa a não ser com a morte. Deitado no chão, sozinho, desafivelei minha cinta e abri minhas calças. A minha virília direita estava enorme, parecia que tinham colocado uma bola de tenis dentro dela, imaginei minha femural rompida e comecei compulsivamente a contar os segundos, eu ia morrer alí. Pedi a Deus só mais uma chance e foi aí que dois colegas surgiram e me carregaram. Me colocaram no deitado banco traseiro de uma vitura Fiat Prêmio, tive que ir com as pernas pro lado de fora da janela. No Hospital Universitário eu cheguei desacordado pois, perdi muito sangue e logo em seguida fui acordado por um médico que comunicou o quadro médico. A bala, calibre 32,entrou pelo púbis, cinco dedos abaixo do umbigo e dois abaixo do colete a prova de balas,da esquerda para a direita, rompeu uma série de vasos sanguíneos sem muita importância, passou à milímetros da bexiga e se alojou na virília direita ao lado da artéria Femural, porém, sem rompê-la. E está alí até hoje. Bem, o bandidão que não era tão bandidão assim, tinha 14 anos, foi preso por volta das 10:00Hs da mesma manhã, depois que um Regimento inteiro cercou o famigerado Beco do Beijo. O "gurizinho" havia invadido a casa de um idoso, o ameaçado, tirado a roupa e as escondido dentro das panelas do vovô, o revolver dentro de um fogão a lenha e se deitado na cama como se nada tivesse acontecido. Foi acordado com uma calibre 12 na fuça, pois, o vovô que ficara assustado na frente da casa tomando um chimarrão fez um sinal muito discreto com os olhos para um policial que passava. Foi encaminhado para a antiga FEBEM e assim vive até hoje, 2 anos preso dez dias solto. Eu fiquei muito tempo sem trabalhar nas ruas mas me recuprei bem. Na próxima crônica quem leva a pior são os os bandidos...
quinta-feira, 17 de junho de 2010
A PRIMEIRA TROCA DE TIROS
Com um ano de polícia, em 1991, fui transferido para Júlio de Castilhos. A cidade tinha um Esquadrão de polícia comandado por um capitão e um pelotão comandado por um sub tenente que por acaso era meu pai. Nesta época estaria acontecendo uma onda de furtos na cidade e convenci o sub tenente a escalar dois PMs à paisana nas madrugadas frias da cidade. O sub tenente concordou e conseguiu emprestado, com a rádio local, um de seus veículos para ser usado pelos PMs à paisana.O carro era um Dorge Polara e eu era um desses PMs. Eu e meu colega passamos a noite inteira rodando de um lado para o outro tentando pescar algo suspeito, e nada aconteceu. Por volta das 04:00hs da madrugada fazia mais ou menos 1°C. e decidimos que era hora de parar. Deixamos o Dorge estacionado em frente ao esquadrão e cada um tomou rumo de sua casa. Caminhei em direção ao lar. Morava em um residencial do antigo BNH no terceiro andar de um prédio. Quase em casa avistei um de nossos suspeito parado próximo à biblioteca municipal. Parado, encostado junto à parede do prédio, ele não me viu. Me escondi no hall de entrada de um edifício e passei a observá-lo. Fumando, ele olhava de um lado para o outro com se procurasse alguém. depois de uns dez minutos, ele atravessou a rua e entrou nos fundos de uma agropecuária que ficava defronte a biblioteca. Como demorou a voltar resolvi averiguar. Quando chequei em frente a agropecuária, que tinha sua entrada com portas grandes de madeira, ouvi barulhos no seu interior e nesse momento percebi o que estava acontecendo. Com um ano de polícia, eu ví minhas pernas tremerem e não me obedecerem. Quase tive um treco, me faltou o ar, fiquei tonto e o coração parecia que ia sair pela boca. A agropecuária ficava bem numa esquina. Apoio só se por uma bênção sagrada a única viatura (um fusca) pasasse por alí. Celular não tinha sido inventado. Rádio comunicador era artigo de luxo e orelhão tinha só na praça que ficava uns 400m de onde eu estava. Quando olhei na lateral da agropecuária ví três homens caminhando em direção estação ferroviária (na época um local ermo e escuro) e cada um carregava nas costas um saco grande de estopa carregados com coisas que não podia ver. A vóz quase não saiu, porém, com o 38 em punho eu gritei:" - Parados, é a polícia". Simultâneamente, os três largaram os sacos e colocaram-se em fuga. Naquela hora a adrenalida havia consumido com meu medo, e saí em perseguição ao trio rua abaixo. Pensei em atirar mas me contive. No fim da rua, dois tomaram direção aos trilhos e sumiram na escuridão mas o terceiro rumou em direção a uma Marajó branca estacionada ao lado da estação férrea, parou ao lado da Marajó e tranquilamente colocou a chave na porta para abri-la, eu estava uns 50m abrigado num muro e comecei a caminhar em direção à ele e, então, ele sacou um revólver e disparou em minha direção, pelo estampido me pareceu um calibre 22, não sei onde ele acertou o tiro e revidei com uma série de três disparo em sua direção. Ele abandonou o veíuclo e fugiu também em direção aos trilhos. Ir atrás, sozinho, nem pensar, estava muito escuro e agora eu já sabia que, pelo menos um deles estava armado. Pensei que podia tê-lo acertado com um disparo mas ao me aproximar do carro abandonado encontrei meus três disparos, um no capô dianteiro, outro no para brisas e o terceiro no espelho retrovisor do lado do motorista, este passou bem perto do meliante. Dentro da marajó haviam mais três sacos iguais aos outros cheios de produtos da agropecuária que se tivessem sidos levados a agropecuária teria que ter decretado falência como o próprio dono comentou. Com os disparos, populares chamaram a polícia e logo apareceu o fusquinha da Brigada. Colegas de folga foram convocados para as buscas mas ninguém foi localizado. Mas eu ví bem a cara de um deles, era conhecido, e sabia, com certeza, que a Marajó era dele e isso aliado a fé pública o colocou na cadeia dias depois.
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