domingo, 29 de agosto de 2010

PROBLEMAS NA INTERNET

PEÇO DESCULPAS A TODOS, POIS EST,OU COM PROBLEMAS NA INTERNET. HÀ QUASE TRINTA DIAS ESTAMOS SEM CONEXÃO AQUI NO INTERIOR DE SANTA CRUZ DO SUL ONDE MORO ATUALMENTE. TÃO LOGO SEJA SANADO ESTE PROBLEMA ESTAREI POSTANDO NOVAS CRÔNICAS. ABRAÇOS A TODOS

quarta-feira, 28 de julho de 2010

PÉ SUJO

A notícia de um latrocínio correu pelo rádio da polícia. Dois jovens, um deles armado, assaltaram um bar na Vila Oliveira e ao saírem do estabelecimento, sem motivo algum, o jovem que estava armado disparou contra a cabeça do dono do bar. Viaturas seguiram para o local e logo uma viatura que estava próximo conseguiu capturar um dos jovens e o levaram à delegacia de policia. As buscas continuaram e incansavelmente tentamos sem sucesso localizar o outro acusado que até então estava sem identificação. Decidimos deslocar até a delegacia e conversar com o jovem preso. O início do procedimento da lavratura de prisão em flagrante do jovem preso já havia começado quando pedimos ao delegado autorização para falar com o preso. O delegado relutou em autorizar, porém confiava muito nos policiais da PATAMO e por fim autorizou. Na conversa que tivemos com o preso, dissemos a ele que fora reconhecido no assalto e por isso precisávamos saber quem era o outro, pois ele, o preso, corria o rico de ser acusado de efetuar o disparo. O jovem preso relutou em confirmar a identidade do outro acusado, pois temia por sua vida, porém cedeu e o identificou. Conversamos com delegado e pedimos a ele que não iniciasse a lavratura do flagrante e nos desse um tempo para capturar o o outro acusado, pois sabíamos os locais ode costumava esconder-se e haviam viaturas ainda na tentativa de capturá-lo. Novamente o delegado relutou, conversou com outro delegado ali presente e alguns inspetores de polícia e, por fim concordou com a condição de que uma equipe da polícia civil mais um delegado nos acompanhassem na diligência para ver em que condições efetuaríamos a prisão. Deslocamos para o fundão da vila Oliveira, já na divisa com os campos do Parque de Manutenção do Exército. Aproximamos-nos de um barraco isolado e supostamente abandonado, silenciamos por alguns minutos e ouvimos um gemido de mulher e por uma fresta identificamos o acusado tendo relações sexuais com uma mulher. Um golpe certeiro na porta selou o destino de um dos mais temidos bandidos de Santa Maria, “Márcio pé sujo”. Bandido frio e cruel, que quando menor havia decapitado uma anciã e aterrorizava as pessoas por onde passava (Márcio morreu recentemente em confronto com um desafeto, pouco tempo após ter ganhado liberdade condicional). Na delegacia surpreendemos o delegado de plantão coma chegada do indivíduo preso. Anos depois, encontrei este mesmo delegado, agora delegado regional, e ele me confessou que até hoje cita em suas palestras e reuniões com comandos da Brigada, pelo estado a fora, as peripécias de nossa PATAMO e cita com exemplo a única vez em sua vida de Delegado que interrompeu O início de uma lavratura de prisão em flagrante para que PMS dessem continuidade em uma ocorrência, pois tinha a certeza de seu êxito.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

NA HORA "H"

O fator surpresa sempre foi a melhor arma de um policial e não foram poucas as vezes em que usamos esse fator para lograr êxito em nossas missões.
Eram aproximadamente 20:00 hs quando patrulhávamos o bairro Medianeira em Santa Maria. Depois de atuarmos nas áreas mais movimentadas do bairro, decidimos patrulhar os locais mais ermos. Saímos da avenida medianeira e ingressamos na Rua Heitor Campos em direção a Escola Irmão José Otão. Em uma velocidade de 20 km/h descíamos a rua calmamente observando tudo o que pudesse ser suspeito e, ao chegarmos na esquina com a rua Tamanday nos deparamos com uma cena inusitada. Na esquina, havia um bar com duas entradas uma com frente para a Heitor Campos e outra com frente para a Rua Tamanday e quando a viatura aproximou-se da porta de entrada da Heitor Campos, podemos visualizar no interior do bar um jovem com uma arma apontada para o proprietário do bar que estava atrás do balcão. Quando a viatura parou, ainda na Heitor Campos, e descemos, o indivíduo armado notou nossa presença e fugiu pela porta que fazia frente para a Rua Tamanday, porém, comigo no encalce dele a menos de três metros de distância. Correu por 30 metros coma arma em punho, virou uma esquina e se deparou com uma rua sem saída e, no desespero, parou e jogou a arma para cima de uma casa de dois pisos. Entregou-se. “Perdi Paim, perdi Paim!”. O assaltante era um vizinho do meu bairro que até então somente só envolvera com pequenos furtos e havia escolhido o dia errado para começar a efetuar assaltos. O Bairro em que morava na época, Vila Nonoai, era extremamente conturbado e conhecido por hospedar os maiores especialistas em arrombar e furtar objetos do interior de veículos. A Nonoai era um comércio a céu aberto de aparelhos de som furtados de veículos. Realizamos uma ofensiva tão grande no bairro, que em menos de um ano a Nonoai passou a ser um bairro tranqüilo e bom de morar. Foram 16 prisões e a viatura Blazer 3037 se tornara um martírio na vida dos marginais, e o terror que eles costumavam impor se tornou alvo inverso. É bem verdade que fomos autoritários em proibir os marginais de circular pelo seu próprio bairro, mas resolvemos o problema de mais de 2.500 moradores na época.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

TIRO NA BOCA

As pessoas não conseguem imaginar a sensação que é ser policial. A alegria e satisfação de ver a admiração dos poucos que reconhecem nosso serviço. O verdadeiro policial não busca o reconhecimento, busca a justiça e a satisfação da população.
Nós da PATAMO, passávamos horas estudando os “Modus Operandis” dos marginais de Santa Maria. Ouvíamos notícias de crimes e baseados em nossos conhecimentos sempre ligávamos um crime ao seu autor, depois era só caçá-lo a tempo de lavrar o seu flagrante.
Eram aproximadamente 20h00min e estávamos no plantão da Delegacia de policia registrando uma posse de entorpecente (registrávamos umas cinco posses por noite e poderíamos registrar 30 se realmente nos encarnasse nos “mano”) quando entrou na delegacia um grupo de pessoas para registrar um roubo. Eram o motorista, cobrador e passageiros de uma linha urbana de ônibus que foram alvo de uma quadrilha de cinco pessoas. O cobrador do ônibus relatou o fato informando que ao pararem em um ponto para desembarcar passageiros, cinco pessoas subiram no coletivo, três homens e duas mulheres. Um dos homens, que estava armado com um revolver provavelmente calibre 38 com cano longo e de aço inox, anunciou o assalto, colocou o cano do revolver dentro da boca do cobrador e exigiu o dinheiro do caixa. O cobrador, apavorado e com um revolver dentro de sua boca, deu tudo o que tinha, porém, com o dinheiro em mãos e sem qualquer reação do cobrador o homem armado puxou o gatilho. A arma ainda estava dentro da boca do cobrador quando o disparo foi efetuado, e acreditem, a bala correu dentro da boca do cobrador por entre o osso do maxilar esquerdo e a pele do rosto e saiu pela nuca sem pegar nada além de carne. Quase não acreditava quando olhava para o cobrador sentado na delegacia e com apenas uma marca vermelha no lado esquerdo do rosto. Como se fosse um pequeno túnel feito pelo lado interno do rosto.
Ali dentro da delegacia começamos a articular nossa ação. Sabíamos que um indivíduo, morador da vila Brasília, tinha as mesmas características informadas pelo cobrador e, segundo um informante, esse indivíduo tinha um revolver de aço inox e cano longo e como o assalto se deu próximo à vila Brasília achamos que ele podia estar envolvido e decidimos começar as diligencias. Deslocamos primeiro par uma pequena casa de madeira que ficava às margens da ferrovia que cortava a vila Brasília, estava vazia. Logo em seguida deslocamos a outra residência também na vila Brasília e em silêncio percebíamos que havia pessoas na pequena casa de alvenaria de um só cômodo. Decidimos pedir reforço e a PATAMO do 2º Esquadrão passou a nos apoiar. Ouvimos as conversas e concluímos que os acusados do crime estavam ali. Como a casa só tinha uma porta e uma janela, a prisão estava garantida, mas sabíamos que possuíam pelo menos um revolver e não queríamos um confronto armado, por isso, com uma voz de abordagem demos a oportunidade para que se entregassem. Na segunda chamada três saíram da casa, duas mulheres e um homem e se renderam. Com a porta aberta, entramos e localizamos mais dois homens(um deles era o nosso atirador), um atrás de um roupeiro e outro sob a cama. Sobre a cama estavam muitas moedas e fichas de passagem que foram roubados do cobrador além de outros pertences dos passageiros. Arma estava sobre o roupeiro. Antes mesmo que o registro do fato na Delegacia tivesse terminado, nós estávamos de volta com os autores do fato e todos foram reconhecidos pelas vítimas. O que mais me chamou a atenção não era a cara de felicidade das vítimas, mas sim a cara de espanto dos Policiais Civis com a agilidade com que se deu a prisão.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A PRESSÃO FOI GRANDE

O Rei, patrulheiro da PATAMO na época, deixou um depoimento onde ele fala em comprometimento, e é essa a palavra que resume o sentimento de um verdadeiro policial. Somos comprometidos com a segurança das pessoas. Se ignorarmos um pedido, quem o atenderá? Ninguém.
Durante o dia, quando o serviço estava calmo, nós da PATAMO, saíamos para conhecer o terreno. Enquanto o Ávila, motorista, ficava sozinho na viatura circulando pela vila (a viatura tinha películas escurecidas e por isso não se sabia quantos PMs tinha lá dentro) nós andávamos, a pé, por becos e vielas. Fazíamos isso tantas vezes, que quando caía a noite podíamos andar de olhos fechados tranquilamente, pois conhecíamos tudo. Éramos umas sombras, quando menos esperavam, estávamos em cima dos meliantes sem chance de fuga ou reação e assim prendemos vários traficantes de vila.
Numa dessas noites frias, quando nossa área estava tranquila, decidimos patrulhar na área do 2º Esquadrão. Era uma área conturbada, cercada de vilas e muitos marginais perambulavam por lá. Escolhemos a vila Carolina mais precisamente o Beco do Guarani. Descemos uns 200 metros antes e como de costume o Ávila partiu sozinho na viatura para causar uma inquietação na vila, enquanto eu, o Rei e o Sargento Paulo Sérgio seguíamos a pé. Entramos pelo beco e chegamos até uma residência que normalmente era ponto de encontro de marginais. Cercamos a casa e ficamos imóveis por aproximadamente 20 minutos só para termos certeza que ninguém nos vira se aproximando. Nos aproximamos ainda mais da casa para ouvirmos as conversas no seu interior, mais alguns minutos imóveis e começamos a olhar pelas frestas e, então, enxergamos dentro da casa, um jovem, menor de idade, conhecido pela prática de furtos, manuseando um revólver calibre 38. Víamos que ele abria e fechava o tambor do revolver sem munição e conversava com outro conhecido jovem e uma mulher, esta dona casa, e na conversa vangloriavam-se de terem realizado um furto bem sucedido e logrado um revólver além de outras coisas. Ouvimos tudo o que precisávamos, só era preciso dar um “bote” certeiro, e demos. Um chute forte na porta a derrubou e quando o guri armado quis correr, já estava com as algemas no pulso. “Não adianta dizer que não foi tu rapaz, sei até a casa onde tu furtou esse cano”, palavras do Sargento. A casa caiu e o guri abriu o jogo, não que o Sargento fosse lá um homenzarrão de cara feia, mas é que "a pressão foi grande".

domingo, 11 de julho de 2010

A ARMA DO PM

Reviver as ocorrências é uma experiência incrível. As lembranças me fazem retomar precauções que há tempos eu havia esquecido.
O ano é 2000, nossa grupo de PATAMO foi enviado para uma ocorrência de violência doméstica em apartamento no centro de Santa Maria. Quando chegamos ao local, encontramos um homem alto e forte que acabara de quebrar tudo dentro do apartamento da ex-esposa, pois, ao fazer uma visita a ela (não se conformara com a separação que já durava mais de um ano) a encontrou-a com um atual namorado. O homem visivelmente transtornado chorava desconsolado com se fosse uma criança. Comecei a conversar com ele dando-lhe conselhos para que se acalmasse, porém, a todo o momento ele insistia que deveria ter matado ela quando teve oportunidade. Por várias vezes abraçou-se em mim e chorando resmungava o quanto ainda era apaixonado por aquela mulher. A mulher, acuada no sofá ao lado do atual namorado dizia que não aguentava mais essa situação e gostaria de representar judicialmente contra o ex-marido para que ele não mais se aproximasse do apartamento. Diante dos fatos confeccionamos o registro de um Termo Circunstanciado. Sentamos junto à mesa da sala e iniciamos os procedimentos. Durante todo o tempo que usamos para confeccionar o Termo, o acusado perambulava pelo apartamento com um olhar sinistro dirigido à ex-mulher e ao seu atual namorado. Decidi me levantar e ficar próximo a ele, pois, podia tentar uma agressão enquanto estávamos distraídos. Assim que terminamos a confecção com a tomada de depoimentos e colheita de assinaturas, o acusado passou a cumprimentar um por um dos policiais e pedia desculpas pelo acontecido, porém, sua vingança já estava tramada. Notei que ao cumprimentar os colegas ele olhava fixamente para as pistolas deles e como eu era o único que estava em pé, deixou para me cumprimentar por último. Prevendo uma atitude desesperada do acusado, quando levou a mão para me cumprimentar, decidi dar-lhe a mão esquerda, pois, se tomasse alguma atitude eu tinha a mão direita livre para usar a arma e não deu outra, na hora do cumprimento com a mão esquerda, ele segurou fortemente a minha mão e me puxou com força contra ele dando-me uma cabeçada e no mesmo ato agarrou a minha pistola que estava presa ao colete à prova de balas e sacou-a arrebentado a presilha que a fixava junto ao coldre e de posse da arma deu um passo para o lado e a encostou sobre a cabeça da ex-mulher e puxou o gatilho. A arma estava travada e não disparou. Ele olhou para arma e numa fração de segundos me posicionei em frente a ele, agarrei a pistola e desferi-lhe um soco que o derrubou e numa ação rápida do resto do grupo conseguimos dominá-lo e algemá-lo. O homem que apenas responderia por lesão corporal, foi conduzido preso à delegacia onde o delegado de plantão lavrou o auto de prisão em flagrante por tentativa de homicídio. Depois deste dia, usar a trava da arma, passou a ser rotina de muitos policiais militares.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A 3037


O ano de 2000 marca o início de uma nova fase na minha carreira policial, pois, neste ano criamos a PATRES (Patrulha Especial) do 1º Esquadrão do 1ºRPMon em Santa Maria que mais tarde se chamaria PATAMO (Patrulha Tático Móvel). Éramos dois grupos de quatro policiais cada. O grupo a que pertencia era formado pelo Sargento Paulo Sérgio comandante do grupo, Soldado Ávila, motorista, Soldado Rei, patrulheiro e eu, também patrulheiro e a viatura uma GM Blazer de prefixo 3037. Foi nessa época que descobri que um bom policial precisa pensar como um bandido mas agir como um policial e baseado neste pensamento, nosso grupo desenvolveu uma maneira única de trabalhar. Dedicação, destreza, agilidade e conhecimento nos tornou “a menina dos olhos” do Comando do Esquadrão e mais tarde do Regimento. Em pouco tempo de trabalho nosso grupo ganhou total liberdade área, isto é, tínhamos permissão de atuar onde achássemos que o crime ocorreria independente de esquadrão, e não decepcionamos, pois, com pouco tempo de serviço já liderávamos todas as estatísticas de prisão do Regimento. Conhecíamos todos os marginais que atuavam em Santa Maria, mantínhamos um estreito relacionamento com a Polícia Civil e Federal e por muitas vezes éramos chamados em nossas folgas para rapidamente compor o grupo e apoiar estes policiais em suas missões, pois, confiavam muito em nós. Várias foram as vezes em que fomos mencionados em jornais, televisão e rádios que por vezes ao avistarem nosso grupo patrulhando a cidade passavam a nos acompanhar com suas unidades móveis a caça de um flagrante. O incentivo de nossos comandantes, a liberdade e a confiança que nos era dada nos transformou em peritos no combate ao crime, onde com apenas uma pequena informação éramos capazes de identificar o autor de um crime e prendê-lo em minutos após um crime. Hoje inicio uma série de crônicas com a participação de um grupo de PATAMO, uma nova fase na carreira policial abordo da 3037.
A notícia no rádio da viatura informava que quatro indivíduos armados e tripulando duas motocicletas, uma Yamaha Rd 135 azul e uma Honda CB 400 vermelha haviam assaltado uma distribuidora de gás no Bairro Camobí. Estávamos no centro da cidade patrulhando e antes que pudéssemos deslocar ao local do fato, o Rei relatou que conhecia um assaltante que possuía uma CB 400 vermelha, estava no regime semiaberto (dormia no presídio e durante o dia tinha autorização para sair e “trabalhar”) do Presídio de Santa Maria e que seguidamente o avistava Na vila Carolina na casa de outro suspeito de assalto. Antes mesmo que o Rei terminasse seu relato, o Ávila, motorista da viatura já havia mudado de rota e se dirigia agora para a tal vila e ao nos aproximarmos da casa indicada pelo Rei avistamos o Cara da CB 400 saindo da casa tripulando a moto com outro indivíduo na garupa e, numa manobra bem elaborada, o Ávila impediu a fuga da moto. Desembarcamos da viatura e efetuamos a abordagem. Nenhuma arma, mas nos bolsos de ambos, muito dinheiro além de alguns cartuchos de espingarda calibre 36. Com os dois dominados, efetuamos um cerco na casa, pois, ainda faltavam dois. Uma mulher muito assustada apareceu na porta dos fundos da casa perguntando o que queríamos e então enxergamos uma Rd 135 azul escondida na cozinha. Tínhamos tudo o que precisávamos para invadir a casa, mas havia mulheres e crianças, e por isso, decidimos negociar uma rendição. Durante esse tempo apareceram outras viaturas da Brigada e Polícia Civil, e com a presença de um delegado iniciou-se uma nova negociação. E foi durante esta negociação que percebemos que estavam dando muita descarga no vaso sanitário dentro da casa e por isso decidimos interceptar o que descia pela descarga abrindo um buraco no chão do lado de fora do banheiro e localizamos no cano de sápida da descarga, vários sacos plásticos com a marca da empresa de gás assaltada, pois, nestes sacos estavam depositadas moedas roubadas da empresa. A casa caiu. Diante deste fato, a entrada na casa foi liberada prendemos os outros dois que faltavam além de uma das mulheres da casa, pois, entre os produtos do roubo à empresa de gás, foram encontrados diversos aparelhos de rádios CDs, cocaína embalada para a venda e armas.

terça-feira, 6 de julho de 2010

"ESPERO QUE ESTEJA BEM"

A vida policial realmente não é fácil e alguns de vocês devem estar pensando que eu só vivi tragédias, porém, já estamos em 1999 (na cronologia blog é claro) e nestes nove anos que se passaram eu atendi milhares de outras ocorrências e todas com suas peculiaridades e não menos importantes para suas vítimas. Já começava a aprender a lidar com a razão e menos como coração, pois, a emoção faz com que o policial às vezes tome medidas erradas, como aconteceu, por exemplo, comigo em Júlio de Castilhos onde ao chegar para atender uma ocorrência de violência doméstica, deparei-me com uma mulher com o rosto completamente desfigurado por consequência dos socos e chutes que levou do marido. Tomado pela emoção, usei de toda minha força e raiva, e não foi pouca, para prender aquele marido desumano – consequência: dias depois, influenciada pelo marido “arrependido”, a mulher nos denunciou por violência contra ela e o marido, relatando com frieza que todas as lesãoes em seu rosto fora provocado pela violência dos policiais e que nós os havíamos agredido somente porque eles bebiam em via pública. Aquilo me revoltou de uma forma que foi difícil tirar a imagem daquela mulher da minha cabeça por muitos anos. A revolta só não foi maior porque vizinhos, que haviam testemunhado os fatos, desmentiram a versão da mulher e relataram a verdade. Hoje sinto pena dela, porque vivencio no dia a dia a situação de mulheres que são humilhadas, espancadas e ameaçadas da mesma forma que aquela foi. Espero que esteja bem.
O ano é 1999, eu e meu colega estamos parados com viatura 3037, uma GM Blazer, um luxo na época, na Praça central da cidade de Santa Maria, quando de repente um gurizinho chegou correndo junto a viatura e com o dedo indicador apontava para onde estaria um homem que acabara de cair vítima de mal súbito. Mal encostamos a viatura ao lado do corpanzil caído uma multidão de “médicos populares” nos enchiam com seus diagnósticos mas os lábios azulados do senhor, que aparentava ter 60 anos, deixava bem claro que ele estava com uma parada respiratória. Fiquei zonzo e mais nervoso do que qualquer um que estava ali, me ajoelhei ao lado do homem, mas a gritaria ao meu redor impedia que eu pensasse em algo rápido enquanto meu colega tentava inutilmente afastar os curiosos. Pedi ajuda e o colocamos deitado no banco traseiro. Saímos em alta velocidade, e me coloquei de joelhos sobre aquele homem. Com um joelho de cada lado do corpo dele, debrucei-me sobre ele e colei meu ouvido no seu coração, não ouvia nada. Pensei, “seja o que Deus quiser”, rasquei um pedaço de um saco plástico da pasta de documentos, fiz um furo no meio, coloquei sobre a boca daquele homem e iniciei uma manobra de ressuscitação e sem nem ao menos saber se estava fazendo certo ou errado alternava entre soprar pela boca dele e massagear o seu coração e, na terceira soprada ele se movimentou bruscamente, não sabia se ele havia retomado a respiração ou se fora apenas uma manobra brusca da viatura, mas de qualquer forma já estávamos no hall de entrada do Pronto Socorro e uma equipe médica já o aguardava. Desci da viatura exausto e quando olhei aquele homem sendo conduzido na maca ainda pude ver o momento em que o médico retirava da sua boca o saco plástico e colocava um respirador artificial. Depois de 20 minutos confeccionando documentos, ainda no interior do hospital, fomos procurados pela enfermeira chefe do plantão para informar que o Senhor havia sido vítima de uma parada respiratória, mas passava bem e pedia que aguardássemos mais um pouco, pois, o médico de plantão gostaria de falar conosco. Como o médico não apareceu fomos embora e, ao chegarmos ao quartel, no final do serviço, fomos informados pelo Oficial de Serviço que o médico de plantão havia ligado e informado que mesmo sem saber o que havíamos feito com aquele homem dentro da viatura, nós o havíamos salvado. Depois deste episódio procurei me especializar na área de socorrista. O homem, nós nunca mais o vimos e também não o procuramos, mas espero que o ar de um brigadiano tenha dado a ele uma sobrevida. Rezo Deus todos os dias para que sempre me coloque a frente destas pessoas e me dê a oportunidae de reparar todos os meu erros salvando vidas. Espero que esteja bem.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A MÃE DO MELIANTE

Ocorrências em que familiriares do acusado interferem nas atitudes policiais são as mais difíceis de se atender. Contarei apartir de hoje uma série de ocorrências que de classificação simples passaram a se tornar fatos inesquecíveis em minha carreira.
Não posso me lembrar o ano mas lembro da Viatura, um vectra ano 98, nova, provavelmente o ano da ocorrência também.
Naquele ano estava trabalhando como patrulheiro do oficial de serviço. Éramos três PMs, O Oficial de serviço, o motorista e eu. O oficial era responsável pela fiscalização do serviço de policiamento em toda a área do 1º RPmon em Santa Maria/RS. Estávamos em patrulhamento próximo ao Parque Itaimbé quando ouvimos pelo rádio transmissor da VTR o despacho da sala de operações para que uma viatura se deslocasse até uma casa noturna situada no Parque Itaimbé, pois, os seguranças da casa haviam expulso um indivíduo que promovia desordem e este havia retornado armado com uma faca e ameaçava à todos em frente a boate. Estávamos próximos e o oficial determinou que o motorista se deslocasse para o local para apoiar a VTR despachada. Chegamos antes e logo avistamos o indivíduo que ao perceber a aproximação da VTR jogou fora uma faca. Ele foi detido e a faca recuperada por mim em meio ao gramado do parque. Assim que juntei a faca, coloquei-a em um uma espécie de bolsa que havia em meu colete à prova de bala.(Essa bolsa nada mais era que uma continuação do colete que ficava presa por um velcro junto ao corpo, parte essa que em confronto armado poderia ser abaixada e usada como uma extensão que protegia logo abaixo da cintura, na região pélvica). Tão logo guardei a faca, me dirigí ao meliante que estava detido e tratei de algemá-lo e colocá-lo na VTR. Decidimos deslocar com ele até a frente da boate para que fosse reconhecido pelos seguranças e para que um deles nos acompanhasse até a delegacia de polícia para que fosse efetuado o registro da ocorrência. Ao chegarmos na frente da boate um "burburinho" estava armado. Os familiares do meliante, mãe, irmãos, irmãs e cunhados estavam revoltados com os seguranças e ao avistarem o parente deles preso e algemado no interior da VTR partiram para cima da guarinção para tentar resgatá-lo. Coseguiram tirá-lo de dentro da viatura mas comigo agarrado ao pescoço dele. Enquanto o Oficial e o motorista tentavam afastar os parentes revoltados eu tentava recolocá-lo devolta para a VTR. Com uma gravata em seu pescoço eu tentava puxá-lo para dentro, foi quando apareceu a mãe do rapaz, gritando como uma louca, ela veio em minha direção e cravou as unhas no meu rosto e ao colocar as mãos entre eu e o meliante para tentar arrancá-lo de mim, ela encontrou a faca presa ao meu colete, sacou-a e me golpeou da direita para a esquerda na direção do meu rosto. Consegui esquivar o rosto da faca, porém, fui golpeado no braço esquerdo na altura do ombro. A Faca ficou cravada e a mulher deu a volta pela minha frente e retirou a faca, que estava cravada, e tentou me golpear novamente mas fui mais rápido e, numa fração de segundos, joguei o rapaz no chão e livre dele consegui acertar um chute no rosto da mulher que caiu praticamente desmaiada. Nesse momento chegava a VTR despachada para a ocorrência e passou a nos apoiar. Na delegacia a mulher foi autuada em flagrante por tentativa de homicídio e conduzida ao presídio. O filho foi indiciado pela posse da arma branca, ameaça e desordem e foi liberado. Eu fui atendido no Hospital da Briagada Militar onde levei alguns pontos e fiquei com o braço dolorido por alguns dias e umas unhadas no rosto e acreditem, eu fui capaz de entender a atitude daquela mãe e até de perdoá-la, pois, mãe é aquela que defende os seus mesmo que sacrifique a sua própria vida. A mãe ficou presa por apenas um mês e ganhou um Habeas Corpus.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

NAS MÃOS DE UM REPÓRTER

As pessoas não podem imaginar os acontecimentos que sucedem uma ocorrência de repercusão como por exemplo a última crônica intitulada “Juri Popular”.
O Jovem morto no confronto passou a ser, para os olhos da maioria das pessoas desinformadas , uma vítima da brutalidade policial, pois, tinha apenas 14 anos. Para estas pessoas, um jovem nesta idade não poderia estar envolvido com o crime. A ocorrência passou a ser vista pela imprensa local como um prato cheio para o sensacionalismo. Uma Rádio local tinha um programa pela manhã chamado “Programa do Paulo Roberto” (Paulo Roberto é um nome fictício). Um programa destes que todas as rádio AM tem, onde o radialista conversa com pessoas, cria polêmicas, oferece músicas e serviços comunitário. Este radialista tinha um reporter de rua, que com uma unidade móvel percorria os bairros em busca de notícias fúteis e , um dia após o ocorrido, lá estava este tal repórter no velório do jovem morto no confronto. Com um microfone na mão, sem nenhuma informação oficial, ele passou a relatar ao vivo o que viu no velório:"- Olha Paulo Roberto, eu estou aqui, ao vivo, no velório do menininho morto covardemente pela Brigada Militar. A mãe do menininho, chorando compulsivamente me mostrou a camiseta que ele usava no dia em que foi morto e essa camiseta tem um furo enorme nas costas o que comprova que ele foi morto com o tiro de uma arma “Puma calibre 44” e foi pego de traição, pelas costas. Também estou vendo que ele levou facadas pelo peito, braços e pernas e teve a cabeça aberta por uma coronhada da “Puma calibre 44”. É uma cena impressionante Paulo Roberto, os brigadianos foram extremamente covardes e violentos."
Ouvi esses comentários e quase enlouqueci.“Meu Deus do céu como isso foi acontecer, quem esfaqueou aquele menino”. Pensei até que poderia ter sido a Guarnição que o levou ao hospital, em represália aos disparos contra os policiais. Eu conhecia um policial civil que trabalhava no IML local e fui até lá conversar com ele. Na conversa com o policial do IML ele disse também ter ouvido os comentários do repórter de rua e passou a me explicar o que o repórter vira no velório. As facadas que ele relata ter visto no menino no velório, na verdade são cortes feitos pelo médico legista para extrair, orgãos e artérias para a necrópsia. A coronhada na cabeça, nada mais é que a abertura da caixa craniana também para procedimentos da necrópsia e o tal tiro de “Puma calibre 44”, isso é uma alucinação de um repórter ignorante e inconseguente que após alguns meses teve que ceder um espaço para retratação no “Programa Paulo Roberto” o Show da Manhã.