As pessoas não conseguem imaginar a sensação que é ser policial. A alegria e satisfação de ver a admiração dos poucos que reconhecem nosso serviço. O verdadeiro policial não busca o reconhecimento, busca a justiça e a satisfação da população.
Nós da PATAMO, passávamos horas estudando os “Modus Operandis” dos marginais de Santa Maria. Ouvíamos notícias de crimes e baseados em nossos conhecimentos sempre ligávamos um crime ao seu autor, depois era só caçá-lo a tempo de lavrar o seu flagrante.
Eram aproximadamente 20h00min e estávamos no plantão da Delegacia de policia registrando uma posse de entorpecente (registrávamos umas cinco posses por noite e poderíamos registrar 30 se realmente nos encarnasse nos “mano”) quando entrou na delegacia um grupo de pessoas para registrar um roubo. Eram o motorista, cobrador e passageiros de uma linha urbana de ônibus que foram alvo de uma quadrilha de cinco pessoas. O cobrador do ônibus relatou o fato informando que ao pararem em um ponto para desembarcar passageiros, cinco pessoas subiram no coletivo, três homens e duas mulheres. Um dos homens, que estava armado com um revolver provavelmente calibre 38 com cano longo e de aço inox, anunciou o assalto, colocou o cano do revolver dentro da boca do cobrador e exigiu o dinheiro do caixa. O cobrador, apavorado e com um revolver dentro de sua boca, deu tudo o que tinha, porém, com o dinheiro em mãos e sem qualquer reação do cobrador o homem armado puxou o gatilho. A arma ainda estava dentro da boca do cobrador quando o disparo foi efetuado, e acreditem, a bala correu dentro da boca do cobrador por entre o osso do maxilar esquerdo e a pele do rosto e saiu pela nuca sem pegar nada além de carne. Quase não acreditava quando olhava para o cobrador sentado na delegacia e com apenas uma marca vermelha no lado esquerdo do rosto. Como se fosse um pequeno túnel feito pelo lado interno do rosto.
Ali dentro da delegacia começamos a articular nossa ação. Sabíamos que um indivíduo, morador da vila Brasília, tinha as mesmas características informadas pelo cobrador e, segundo um informante, esse indivíduo tinha um revolver de aço inox e cano longo e como o assalto se deu próximo à vila Brasília achamos que ele podia estar envolvido e decidimos começar as diligencias. Deslocamos primeiro par uma pequena casa de madeira que ficava às margens da ferrovia que cortava a vila Brasília, estava vazia. Logo em seguida deslocamos a outra residência também na vila Brasília e em silêncio percebíamos que havia pessoas na pequena casa de alvenaria de um só cômodo. Decidimos pedir reforço e a PATAMO do 2º Esquadrão passou a nos apoiar. Ouvimos as conversas e concluímos que os acusados do crime estavam ali. Como a casa só tinha uma porta e uma janela, a prisão estava garantida, mas sabíamos que possuíam pelo menos um revolver e não queríamos um confronto armado, por isso, com uma voz de abordagem demos a oportunidade para que se entregassem. Na segunda chamada três saíram da casa, duas mulheres e um homem e se renderam. Com a porta aberta, entramos e localizamos mais dois homens(um deles era o nosso atirador), um atrás de um roupeiro e outro sob a cama. Sobre a cama estavam muitas moedas e fichas de passagem que foram roubados do cobrador além de outros pertences dos passageiros. Arma estava sobre o roupeiro. Antes mesmo que o registro do fato na Delegacia tivesse terminado, nós estávamos de volta com os autores do fato e todos foram reconhecidos pelas vítimas. O que mais me chamou a atenção não era a cara de felicidade das vítimas, mas sim a cara de espanto dos Policiais Civis com a agilidade com que se deu a prisão.
Inacreditável, essas histórias ficariam perfeitas em um seriado de televisão. Abraço meu velho!
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