quarta-feira, 30 de junho de 2010

A MÃE DO MELIANTE

Ocorrências em que familiriares do acusado interferem nas atitudes policiais são as mais difíceis de se atender. Contarei apartir de hoje uma série de ocorrências que de classificação simples passaram a se tornar fatos inesquecíveis em minha carreira.
Não posso me lembrar o ano mas lembro da Viatura, um vectra ano 98, nova, provavelmente o ano da ocorrência também.
Naquele ano estava trabalhando como patrulheiro do oficial de serviço. Éramos três PMs, O Oficial de serviço, o motorista e eu. O oficial era responsável pela fiscalização do serviço de policiamento em toda a área do 1º RPmon em Santa Maria/RS. Estávamos em patrulhamento próximo ao Parque Itaimbé quando ouvimos pelo rádio transmissor da VTR o despacho da sala de operações para que uma viatura se deslocasse até uma casa noturna situada no Parque Itaimbé, pois, os seguranças da casa haviam expulso um indivíduo que promovia desordem e este havia retornado armado com uma faca e ameaçava à todos em frente a boate. Estávamos próximos e o oficial determinou que o motorista se deslocasse para o local para apoiar a VTR despachada. Chegamos antes e logo avistamos o indivíduo que ao perceber a aproximação da VTR jogou fora uma faca. Ele foi detido e a faca recuperada por mim em meio ao gramado do parque. Assim que juntei a faca, coloquei-a em um uma espécie de bolsa que havia em meu colete à prova de bala.(Essa bolsa nada mais era que uma continuação do colete que ficava presa por um velcro junto ao corpo, parte essa que em confronto armado poderia ser abaixada e usada como uma extensão que protegia logo abaixo da cintura, na região pélvica). Tão logo guardei a faca, me dirigí ao meliante que estava detido e tratei de algemá-lo e colocá-lo na VTR. Decidimos deslocar com ele até a frente da boate para que fosse reconhecido pelos seguranças e para que um deles nos acompanhasse até a delegacia de polícia para que fosse efetuado o registro da ocorrência. Ao chegarmos na frente da boate um "burburinho" estava armado. Os familiares do meliante, mãe, irmãos, irmãs e cunhados estavam revoltados com os seguranças e ao avistarem o parente deles preso e algemado no interior da VTR partiram para cima da guarinção para tentar resgatá-lo. Coseguiram tirá-lo de dentro da viatura mas comigo agarrado ao pescoço dele. Enquanto o Oficial e o motorista tentavam afastar os parentes revoltados eu tentava recolocá-lo devolta para a VTR. Com uma gravata em seu pescoço eu tentava puxá-lo para dentro, foi quando apareceu a mãe do rapaz, gritando como uma louca, ela veio em minha direção e cravou as unhas no meu rosto e ao colocar as mãos entre eu e o meliante para tentar arrancá-lo de mim, ela encontrou a faca presa ao meu colete, sacou-a e me golpeou da direita para a esquerda na direção do meu rosto. Consegui esquivar o rosto da faca, porém, fui golpeado no braço esquerdo na altura do ombro. A Faca ficou cravada e a mulher deu a volta pela minha frente e retirou a faca, que estava cravada, e tentou me golpear novamente mas fui mais rápido e, numa fração de segundos, joguei o rapaz no chão e livre dele consegui acertar um chute no rosto da mulher que caiu praticamente desmaiada. Nesse momento chegava a VTR despachada para a ocorrência e passou a nos apoiar. Na delegacia a mulher foi autuada em flagrante por tentativa de homicídio e conduzida ao presídio. O filho foi indiciado pela posse da arma branca, ameaça e desordem e foi liberado. Eu fui atendido no Hospital da Briagada Militar onde levei alguns pontos e fiquei com o braço dolorido por alguns dias e umas unhadas no rosto e acreditem, eu fui capaz de entender a atitude daquela mãe e até de perdoá-la, pois, mãe é aquela que defende os seus mesmo que sacrifique a sua própria vida. A mãe ficou presa por apenas um mês e ganhou um Habeas Corpus.

Um comentário:

  1. Bom, ela teria outras formas de ajudar o filho. Se ela, que é mãe, resolve as coisas agredindo as pessoas, não me surpreende q o filho dela seja tb uma pessoa agressiva e perigosa.

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