quarta-feira, 7 de julho de 2010

A 3037


O ano de 2000 marca o início de uma nova fase na minha carreira policial, pois, neste ano criamos a PATRES (Patrulha Especial) do 1º Esquadrão do 1ºRPMon em Santa Maria que mais tarde se chamaria PATAMO (Patrulha Tático Móvel). Éramos dois grupos de quatro policiais cada. O grupo a que pertencia era formado pelo Sargento Paulo Sérgio comandante do grupo, Soldado Ávila, motorista, Soldado Rei, patrulheiro e eu, também patrulheiro e a viatura uma GM Blazer de prefixo 3037. Foi nessa época que descobri que um bom policial precisa pensar como um bandido mas agir como um policial e baseado neste pensamento, nosso grupo desenvolveu uma maneira única de trabalhar. Dedicação, destreza, agilidade e conhecimento nos tornou “a menina dos olhos” do Comando do Esquadrão e mais tarde do Regimento. Em pouco tempo de trabalho nosso grupo ganhou total liberdade área, isto é, tínhamos permissão de atuar onde achássemos que o crime ocorreria independente de esquadrão, e não decepcionamos, pois, com pouco tempo de serviço já liderávamos todas as estatísticas de prisão do Regimento. Conhecíamos todos os marginais que atuavam em Santa Maria, mantínhamos um estreito relacionamento com a Polícia Civil e Federal e por muitas vezes éramos chamados em nossas folgas para rapidamente compor o grupo e apoiar estes policiais em suas missões, pois, confiavam muito em nós. Várias foram as vezes em que fomos mencionados em jornais, televisão e rádios que por vezes ao avistarem nosso grupo patrulhando a cidade passavam a nos acompanhar com suas unidades móveis a caça de um flagrante. O incentivo de nossos comandantes, a liberdade e a confiança que nos era dada nos transformou em peritos no combate ao crime, onde com apenas uma pequena informação éramos capazes de identificar o autor de um crime e prendê-lo em minutos após um crime. Hoje inicio uma série de crônicas com a participação de um grupo de PATAMO, uma nova fase na carreira policial abordo da 3037.
A notícia no rádio da viatura informava que quatro indivíduos armados e tripulando duas motocicletas, uma Yamaha Rd 135 azul e uma Honda CB 400 vermelha haviam assaltado uma distribuidora de gás no Bairro Camobí. Estávamos no centro da cidade patrulhando e antes que pudéssemos deslocar ao local do fato, o Rei relatou que conhecia um assaltante que possuía uma CB 400 vermelha, estava no regime semiaberto (dormia no presídio e durante o dia tinha autorização para sair e “trabalhar”) do Presídio de Santa Maria e que seguidamente o avistava Na vila Carolina na casa de outro suspeito de assalto. Antes mesmo que o Rei terminasse seu relato, o Ávila, motorista da viatura já havia mudado de rota e se dirigia agora para a tal vila e ao nos aproximarmos da casa indicada pelo Rei avistamos o Cara da CB 400 saindo da casa tripulando a moto com outro indivíduo na garupa e, numa manobra bem elaborada, o Ávila impediu a fuga da moto. Desembarcamos da viatura e efetuamos a abordagem. Nenhuma arma, mas nos bolsos de ambos, muito dinheiro além de alguns cartuchos de espingarda calibre 36. Com os dois dominados, efetuamos um cerco na casa, pois, ainda faltavam dois. Uma mulher muito assustada apareceu na porta dos fundos da casa perguntando o que queríamos e então enxergamos uma Rd 135 azul escondida na cozinha. Tínhamos tudo o que precisávamos para invadir a casa, mas havia mulheres e crianças, e por isso, decidimos negociar uma rendição. Durante esse tempo apareceram outras viaturas da Brigada e Polícia Civil, e com a presença de um delegado iniciou-se uma nova negociação. E foi durante esta negociação que percebemos que estavam dando muita descarga no vaso sanitário dentro da casa e por isso decidimos interceptar o que descia pela descarga abrindo um buraco no chão do lado de fora do banheiro e localizamos no cano de sápida da descarga, vários sacos plásticos com a marca da empresa de gás assaltada, pois, nestes sacos estavam depositadas moedas roubadas da empresa. A casa caiu. Diante deste fato, a entrada na casa foi liberada prendemos os outros dois que faltavam além de uma das mulheres da casa, pois, entre os produtos do roubo à empresa de gás, foram encontrados diversos aparelhos de rádios CDs, cocaína embalada para a venda e armas.

5 comentários:

  1. "Filho de peixe peixinho é."

    "Quem puxa aos seus não degenera."

    "A fruta não cai longe do pé."

    Estes ditados populares são verídicos no caso em questão.
    Que Deus te abençoe!!!

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  2. cara que memoria eu nem me lembrava mais, mas é uma de tantas,tá lembrado daquela do filho do xico pé sujo que o delegado deu um tempo e nós buscamos o vadio que depois do assalto que resultou na morte do proprietario do mercado estava na baiuca dele trepando com a vagabunda de sangue frio.Hoje o comandante do 1ºesquadrão o J xico ele comentava das nossas ocorrências para o motorista e o patrulheiro da minha Patamo este patrulheiro que faz me lembrar de você com a memória de uma CPU de computador,que lembra de todos os individuos que nós abordamos em outros dias ou até mesmo meses,só falta lembrar do RG do vago.Parabéns pela iniciativa de publicar e lembrar do tempo bom que era quando nós trabalhavamos juntos,pareciamos uma família que nunca vou esquecer jamais.
    Um abraço de teu,além de colega um grande amigo.SGT AVILA.

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  3. Eu era piá nessa época e me lembro que os vadio da nonoai tremiam quando ouviam fala do Avila e do Paim, essa Patamo ai é lendaria, e me incentivo muito a entra na BM.
    Abraço.

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  4. ERAMOS UMA EQUIPE, TINHAMOS UM COMPROMETIMENTO, QUE ÁS VEZES SUPERAVA O LIMITE DO IMAGINAVEL, NÃO TINHA HORA NEM LUGAR, SÓ QUERIAMOS OBTER O EXITO NAS MISSÕES, A NOSSA SATISFAÇÃO ERA DE DAR A VOZ DE PRISÃO, E RETIRAR DE CIRCULAÇÃO, UM INDIVIDUO OU UMA QUADRILHA, E TORNAR MAIS SEGURA Á NOSSA CIDADE, TORNANDO ÁS PESSOAS DE BEM, MAIS TRANQUILAS E FELIZES.

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  5. thales que tenha nós como bom exemplo pra tua carreira que está iniciando na GLORIOSA BRIGADA MILITAR,eu já te falei e tono a repetir o tu precisar de mim estou sempre pronto pra te a ajudar a ti e outro colegas. Um abrço do Sgt Avila.........

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