quarta-feira, 28 de julho de 2010

PÉ SUJO

A notícia de um latrocínio correu pelo rádio da polícia. Dois jovens, um deles armado, assaltaram um bar na Vila Oliveira e ao saírem do estabelecimento, sem motivo algum, o jovem que estava armado disparou contra a cabeça do dono do bar. Viaturas seguiram para o local e logo uma viatura que estava próximo conseguiu capturar um dos jovens e o levaram à delegacia de policia. As buscas continuaram e incansavelmente tentamos sem sucesso localizar o outro acusado que até então estava sem identificação. Decidimos deslocar até a delegacia e conversar com o jovem preso. O início do procedimento da lavratura de prisão em flagrante do jovem preso já havia começado quando pedimos ao delegado autorização para falar com o preso. O delegado relutou em autorizar, porém confiava muito nos policiais da PATAMO e por fim autorizou. Na conversa que tivemos com o preso, dissemos a ele que fora reconhecido no assalto e por isso precisávamos saber quem era o outro, pois ele, o preso, corria o rico de ser acusado de efetuar o disparo. O jovem preso relutou em confirmar a identidade do outro acusado, pois temia por sua vida, porém cedeu e o identificou. Conversamos com delegado e pedimos a ele que não iniciasse a lavratura do flagrante e nos desse um tempo para capturar o o outro acusado, pois sabíamos os locais ode costumava esconder-se e haviam viaturas ainda na tentativa de capturá-lo. Novamente o delegado relutou, conversou com outro delegado ali presente e alguns inspetores de polícia e, por fim concordou com a condição de que uma equipe da polícia civil mais um delegado nos acompanhassem na diligência para ver em que condições efetuaríamos a prisão. Deslocamos para o fundão da vila Oliveira, já na divisa com os campos do Parque de Manutenção do Exército. Aproximamos-nos de um barraco isolado e supostamente abandonado, silenciamos por alguns minutos e ouvimos um gemido de mulher e por uma fresta identificamos o acusado tendo relações sexuais com uma mulher. Um golpe certeiro na porta selou o destino de um dos mais temidos bandidos de Santa Maria, “Márcio pé sujo”. Bandido frio e cruel, que quando menor havia decapitado uma anciã e aterrorizava as pessoas por onde passava (Márcio morreu recentemente em confronto com um desafeto, pouco tempo após ter ganhado liberdade condicional). Na delegacia surpreendemos o delegado de plantão coma chegada do indivíduo preso. Anos depois, encontrei este mesmo delegado, agora delegado regional, e ele me confessou que até hoje cita em suas palestras e reuniões com comandos da Brigada, pelo estado a fora, as peripécias de nossa PATAMO e cita com exemplo a única vez em sua vida de Delegado que interrompeu O início de uma lavratura de prisão em flagrante para que PMS dessem continuidade em uma ocorrência, pois tinha a certeza de seu êxito.

Um comentário: