domingo, 11 de julho de 2010

A ARMA DO PM

Reviver as ocorrências é uma experiência incrível. As lembranças me fazem retomar precauções que há tempos eu havia esquecido.
O ano é 2000, nossa grupo de PATAMO foi enviado para uma ocorrência de violência doméstica em apartamento no centro de Santa Maria. Quando chegamos ao local, encontramos um homem alto e forte que acabara de quebrar tudo dentro do apartamento da ex-esposa, pois, ao fazer uma visita a ela (não se conformara com a separação que já durava mais de um ano) a encontrou-a com um atual namorado. O homem visivelmente transtornado chorava desconsolado com se fosse uma criança. Comecei a conversar com ele dando-lhe conselhos para que se acalmasse, porém, a todo o momento ele insistia que deveria ter matado ela quando teve oportunidade. Por várias vezes abraçou-se em mim e chorando resmungava o quanto ainda era apaixonado por aquela mulher. A mulher, acuada no sofá ao lado do atual namorado dizia que não aguentava mais essa situação e gostaria de representar judicialmente contra o ex-marido para que ele não mais se aproximasse do apartamento. Diante dos fatos confeccionamos o registro de um Termo Circunstanciado. Sentamos junto à mesa da sala e iniciamos os procedimentos. Durante todo o tempo que usamos para confeccionar o Termo, o acusado perambulava pelo apartamento com um olhar sinistro dirigido à ex-mulher e ao seu atual namorado. Decidi me levantar e ficar próximo a ele, pois, podia tentar uma agressão enquanto estávamos distraídos. Assim que terminamos a confecção com a tomada de depoimentos e colheita de assinaturas, o acusado passou a cumprimentar um por um dos policiais e pedia desculpas pelo acontecido, porém, sua vingança já estava tramada. Notei que ao cumprimentar os colegas ele olhava fixamente para as pistolas deles e como eu era o único que estava em pé, deixou para me cumprimentar por último. Prevendo uma atitude desesperada do acusado, quando levou a mão para me cumprimentar, decidi dar-lhe a mão esquerda, pois, se tomasse alguma atitude eu tinha a mão direita livre para usar a arma e não deu outra, na hora do cumprimento com a mão esquerda, ele segurou fortemente a minha mão e me puxou com força contra ele dando-me uma cabeçada e no mesmo ato agarrou a minha pistola que estava presa ao colete à prova de balas e sacou-a arrebentado a presilha que a fixava junto ao coldre e de posse da arma deu um passo para o lado e a encostou sobre a cabeça da ex-mulher e puxou o gatilho. A arma estava travada e não disparou. Ele olhou para arma e numa fração de segundos me posicionei em frente a ele, agarrei a pistola e desferi-lhe um soco que o derrubou e numa ação rápida do resto do grupo conseguimos dominá-lo e algemá-lo. O homem que apenas responderia por lesão corporal, foi conduzido preso à delegacia onde o delegado de plantão lavrou o auto de prisão em flagrante por tentativa de homicídio. Depois deste dia, usar a trava da arma, passou a ser rotina de muitos policiais militares.

3 comentários:

  1. Sem falsa modéstia: Meu filho é um herói!
    Luz e Paz meu amor...

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  2. Parabéns! Isso demonstra preparo total para a função, o que, infelizmente, falta em muitos profissionais. Muito bom.

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